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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
terça-feira, 1 de maio de 2012
“Numa altura em que ainda não havia flores”
O tempo que veio
antes
rejeita beber
água.
As cinzas – uma
aquisição recente
da evolução (a
que os pinheiros
pertencem) –
viam mais
numa altura
em que ainda
não havia flores.
Desenterrou-se
uma ilha cristalizada
pelas cinzas. O
tempo
que veio depois
libertava esporos
e árvores mais
finas,
plantas sem
flores
que faziam lembrar
o tempo
transformado
em carvão.
Há um estrato de
penas
com porte de
árvore,
retrato detalhado
com mais água
de fetos
arbóreos.
Mas a cinza,
numa altura em
que
ressuscitaram os
anos,
é tectónica e
semelhante:
uma aquisição
fossilizada
no interior da
Terra.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Un’en’en
Lâminas de pedra e restos
de três mil anos
feitos de pedra.
cenas esculpidas
(partidas) com arpões.
desenhos às camadas:
uma herança natural
parecida com uma casa.
a mais antiga evidência
― crânios, ossos, barbas ―
são barcos numa comunidade
a partilhar carne por carbono.
mil anos para trás
e apenas um marfim complexo
camadas de terra
como um livro aberto
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Y todo para sorpresa de nuestra ignorancia
La infancia no es un lago imperturbable
no tiene la lisura de un plato
es un valle
bordeado de irregulares riscos.
Caemos y ascendemos en ella
y todo para sorpresa
de nuestra ignorancia.
La infancia ataja
ataja todo
cualquier pelota.
Su decir, es un decir sí…
Hanni Ossott
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
é provável que ela venha daqui a pouco. o dia foi um tecto azul celeste quase em quebranto: não é por aí que ela costuma entrar? até lá deleito-me, nas simetrias gélidas do corpo. as mãos pelos pés. dois braços (vazios, em fuga). entendo-me na longitude glaciar da cintura. tepidamente, chega ela. arfa mansa, debaixo dos lençóis, as suas mãos crescendo dentro das minhas. erguida em ganas de violino, borda-me a almofada com fio de prata. as suas mãos lembrando-me das minhas. e isto, só gente avulsa é que entende.
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