Mostrar mensagens com a etiqueta Matéria Precária. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Matéria Precária. Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de maio de 2012

Heart shape




"Apesar de o coração ser relativamente simples, a equação que está na sua origem é complexa."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

sábado, 24 de setembro de 2011

Se lhe pega a poesia

Nosso é só o espinho, o estrume, a unha cheia de terra. Sabendo que me ultrapasso eu digo a você, pra celebrar nosso caso, como disse o chefe islamita em discurso ao bispo, pra celebrar a surpreendente união de maometanos e cristãos numa comunidade indonésia, “nosso amor é como bosta de búfalo, cai mas não racha.” Como vê, nem o excremento é nosso, se lhe pega a poesia. Pura graça o que nos move. Vou é chorar de tanta boa pobreza.

Adélia Prado, Solte os chachorros

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

My own foreigness to myself


I am not fully known to myself, because part of what I am is the enigmatic traces of others.

Judith Butler, Precarious Life: the Powers of Mourning and Violence (2004)
Photo: Maura Sullivan

segunda-feira, 14 de março de 2011

Escrevo solo e digo nuvem

O rosto enfiado na terra
escrevo solo e digo nuvem.
Solo & subsolo, conluio
amoroso de asas e raízes.

O silêncio conspira,
até a viração da tarde
cessou. Já mal suspira.
Escrevo solo e o peito arde.

O rosto guardado na terra,
nada me lembra ou esquece.
Escrevo solo. Sombra
entre sombras, o dia amanhece.

Manhã de maio semeia,
não choro nem sinto.
Digo nada – acorde esvaído
num sonho indistinto.

O rosto abrigado na terra,
mal sei do lamento das folhas.
Mal sei, mal sim, mal não:
não sei onde abrigar o coração.

Carlos Felipe Moisés, “Sombra”

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


Enlouquecidos pela dor
Cobrimo-nos com o barro das palavras

Ana Hatherly, “Utopias privadas”

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
























                                             Soy estrella y musgo

                         Me encrespo.

El poema ha llegado de mi carencia, de mi pobreza.
                                            
Hanni Ossott, “Una playa sin fin”
Foto: Joe Bonomo

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Porque escrever assim é sopa

É capaz de a psicologia ser ciência mesmo. Se for, me avisem. Tem coisas que, sabendo dizer, conferem muita importância: “a sagrada rota”, “as valquírias”. Falar comigo: seu texto é muito bom, eu não acredito, porque escrever assim é sopa. Agora, falar que é ruim, me incomoda e é capaz de eu sofrer. A poesia existe, ou é falácia, pruridos, psicologismos? Se assim for e eu descobrir, me epitafem: desgraçada, fora da graça, banida.
Adélia Prado, Solte os cachorros

domingo, 12 de dezembro de 2010

O medo apaga o amor?

O medo apaga o amor, só deixa os contornos do próprio corpo?

Maria Velho da Costa, Myra

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cortina que abre-fecha
a língua é
um itinerário
uma brecha
no flanco do longínquo
Ana Hatherly, “As palavras de papel”

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

e se eu me erguesse, desprendida
as mãos abertas em leque rubro
uma fita métrica solene medindo
espaços, oclusivas, alexandrinos

e tudo o mais que o pulso esquece 

mas entre os dedos, apenas um fio
de mercúrio quente, e na boca
um ninho de pétalas
quebradiço 

domingo, 21 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

No princípio era o Verbo

Interessam-me as palavras, a linguagem, aquilo a que o que o poeta Hölderlin chamava de “flor da boca”. Interessa-me o modo como falamos a linguagem e, acima de tudo, o modo como a linguagem nos fala, aproximando-nos e afastando-nos uns dos outros. Interessam-me as palavras, independentemente de elas florirem na boca, nos olhos, ou nas mãos. Interessam-me as palavras, independentemente.    


Nota: Não há palavras suficientes para agradecer à minha querida Mademoiselle, pela sua infinita capacidade de criar beleza…Obrigada por este cantinho tão aconchegado…